sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

105.


Nestes últimos tempos, tenho fechado os olhos a todos os que têm errado e falhado comigo, o que faz com que seja injusta comigo própria, porque quando sou eu a errar para com os que mais quero e mesmo para os outros, aí sou incapaz de fechar os olhos e fingir que nada aconteceu, nunca me podem julgar por não admitir quando errei, e a palavra desculpa flui da minha boca muito facilmente porque não quero nunca magoar ninguém. Mas afinal de contas, alguém é perfeito e não comete erros? Se não, então porque teimam a fazer sofrer aqueles que cruzaram o nosso caminho, porque deixa-los sofrer apenas por consequência dos nossos actos? Mas eu continuo a aceitar, vou-me esquecendo do quanto certas coisas magoam. Mantenho-me firme e hirte, tal como me habituei a fazer, e penso que só os fracos desistem tão facilmente de algo que amam intensamente. Mas, eu sei que chega um ponto, em que não me vou achar capaz de continuar nesta luta diária contra quase tudo o que me rodeia. Cometemos erros? Sim. Agimos sem pensar nas consequências futuras? Nem todos. Dizem que o passado não importa porque o caminho é em frente, mas na verdade, o passado é que fez de nós aquilo que somos hoje. Sem ele, ou seríamos todos iguais, ou simplesmente não seríamos. E sim, eu admito, também tenho os meus arrependimentos, e que por várias vezes, quis apagar momentos dos quais não me orgulho. Mas se os fiz, foi porque nesse exacto segundo, os considerei como a decisão certa a tomar. Não foram simplesmente para meu próprio proveito. Cada vez mais, não suporto pessoas que não são transparente, que não mostram o que realmente são. Existem muitas coisas que os olhos escondem, e que sorrisos inocente tentam apagar. Pormenores que revelam de que matéria as pessoas são feitas. As pessoas não mudam. E quem acha que sim, está muito enganado. Apenas se transformam conforme as situações. E aos nossos olhos, também. Aos nossos olhos, são sempre melhores. Mais bonitas. Mais fortes. Mais tudo. Aproximamo-las o máximo que conseguimos da perfeição, e só não a atingimos, por não existir. E porque a perfeição também cansa, é chata! Depois, quando finalmente caímos em nós, as desilusões começam a surgir. Uma atrás da outra.

E agora? O que é suposto eu fazer? Fechar os olhos mais uma vez, na esperança de que seja a última? Ou abri-los e parar de sonhar? Parar de acreditar?

A esperança é a última a morrer, mas o sonho é o primeiro.

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