terça-feira, 25 de setembro de 2012
134.
Hoje podemos falar das árvores e flores desta rua, dos carros que estacionam mal, do velho bêbado que teima em falar sozinho, dos livros que esquecemos, das pessoas que nos deixaram, dos carteiros que já só distribuem cartas para pagar, dos CDs que ainda guardamos e ouvimos de vez em quando, do pequeno-almoço tomado no chão, da aborrecida ida ao cinema, da senhora da segurança social sempre mal disposta, do acidente na A1, do aniversário que não nos lembrámos, da caminhada pela linha de comboio, das tardes de chuva passadas entre mantas e café, das viagens que fizemos e das que queríamos fazer, dos telefonemas inconstantes... hoje podemos falar de tudo que nada é segredo. Não poderemos é voltar a falar de amor.
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